Você já deve ter ouvido bastante sobre as transformações que acontecem na vida de quem se submete à redução do estômago. Muitos quilos a menos e a conquista da autoestima são alguns exemplos. Por outro lado, falta muita informação sobre as consequências e riscos da cirurgia bariátrica.
As chances de sucesso são grandes para aqueles que têm acesso a um bom acompanhamento no pré e pós-operatório, junto à uma equipe multidisciplinar (médicos, nutricionistas e psicólogos). Somente a partir deste esforço conjunto é possível rever hábitos e adotar um novo estilo de vida.
Mas nem sempre é assim: nem todos os pacientes têm entendimento, preparo psicológico e mesmo condições financeiras para encarar a avalanche de mudanças físicas e emocionais que se desencadeiam a partir desta decisão.
Por isso, hoje quero falar de alguns dos riscos da cirurgia bariátrica e das consequências e adaptações mais comuns, coisas que os próprios pacientes tendem a relatar.
O objetivo não é assustar, mas sim, abrir o jogo de maneira mais objetiva e sem o glamour vendido em matérias sensacionalistas.
Riscos da cirurgia bariátrica
Este é um procedimento complexo e, como toda intervenção cirúrgica, pode ter complicações e até mesmo levar à morte. Perfuração, sangramento interno, vômitos, infecções, fístula e embolia pulmonar são alguns dos riscos.
Após a cirurgia, os cuidados devem ser redobrados porque o corpo pode ficar desnutrido. Isso é bastante comum, uma vez que a ingestão de comida diminui brutalmente em função da diminuição do estômago.
O paciente passa a comer uma quantidade bem menor, e, às vezes, cai também a qualidade da alimentação. Esse quadro pode induzir à carência de macro ou micronutrientes, como vitaminas e minerais, gerando vários problemas de saúde como por exemplo anemia, queda dos dentes ou cabelos.
Nas cirurgias que também incluem o desvio intestinal (como no Bypass gástrico), a absorção dos nutrientes pode ser ainda mais reduzida, porque o alimento fica menos tempo em contato com o intestino.
Por estes e outros motivos, quem passa por esta cirurgia precisará se submeter a exames médicos regulares e fazer acompanhamento nutricional para o resto da vida.
Já ouvi de pacientes que a relação com os médicos vira um verdadeiro casamento, ou seja, pra sempre! Ter essa disciplina faz toda a diferença na qualidade de vida.
Veja também: Quem pode fazer cirurgia bariátrica?
Adaptações físicas
Acho importante também falar das consequências físicas do pós-cirúrgico que podem ser consideradas como riscos da cirurgia bariátrica. Embora variem de paciente para paciente, estas reações são bastante frequentes, especialmente nos primeiros meses após a realização do procedimento.
Uma das mais conhecidas é a síndrome de dumping, que ocorre pelo fato de o alimento passar rápido do estômago para o intestino, especialmente os que são ricos em gordura e/ou açúcar. Isso pode acarretar queda de pressão, diarreia, sudorese, náuseas, fraqueza, taquicardia e cefaléia.
E já que estamos falando das adaptações físicas pelas quais o corpo passa, vale destacar a flacidez, que acaba sendo um incômodo para grande parte dos pacientes.
O excesso de pele que fica depois da cirurgia pode gerar problemas de autoestima, e alguns pacientes optam por fazer uma segunda cirurgia reparadora.
Adaptações comportamentais
Um dos maiores riscos da cirurgia bariátrica sob o ponto de vista comportamental é o de desenvolver transtornos alimentares, ou, ainda, intensificar os que já existiam antes da cirurgia e não foram diagnosticados adequadamente.
A compulsão alimentar é algo muito comum entre eles. Entenda no vídeo abaixo a relação entre cirurgia bariátrica e a compulsão alimentar:
Por incrível que pareça, este transtorno não impede a pessoa de fazer a cirurgia – o que, para mim, é um grande problema. Grande parte dos pacientes vão para a sala de cirurgia sem antes fazer uma reavaliação comportamental.
Nestes casos, o que ocorre é bem previsível.
Durante o período de “lua de mel” com a cirurgia, que dura em média 6 meses a 2 anos, é só alegria: a perda de peso é acelerada e a felicidade diante do espelho é grande.
Passado este período, o peso pode estacionar e a pessoa pode acabar voltando aos antigos comportamentos. Com isso, pode voltar a ganhar peso, se sentir frustrado, passar a comer por motivos emocionais e até mesmo querer apostar, de novo, em dietas restritivas, que são ainda mais perigosas para os pacientes bariátricos, pois já estão com risco de já estarem desnutridos.
Isso pode mexer muito com o estado emocional, trazendo tristeza, angústia e depressão.
Alguns pacientes até podem transferir a compulsão por comida por outra coisa, como compras, álcool ou jogos.
Apesar de todos os riscos da cirurgia bariátrica citados acima, reforço que, quando se trata do corpo humano, cada caso é um caso. É preciso conversar com os profissionais de saúde envolvidos para entender que a cirurgia não resolve tudo. É preciso compreender que, mais do que perder peso, o passo mais importante para ter saúde e qualidade de vida é fazer as pazes com a comida e com o próprio corpo.
Bon appétit!
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