A gordura no fígado, ou esteatose hepática, é uma das doenças mais frequentes na atualidade. Estima-se que sua prevalência seja de 20 a 30% da população mundial. Você sabe o que causa gordura no fígado? Quais os sintomas e como evitar?

É uma doença silenciosa, é normal o paciente descobrir apenas quando vai fazer exame de sangue ou ultrassonografia para avaliar outros problemas de saúde. Porém, demanda atenção: a gordura no fígado pode evoluir para outras doenças inflamatórias, que aumenta as chances de desenvolver cirrose hepática não alcoólica e até câncer.
Sendo assim, é importante estar ciente sobre o que é e o que causa gordura no fígado. Falarei mais sobre esses fatores a seguir. Primeiro, vamos entender o porquê devemos cuidar bem desse órgão tão importante.
O fígado e suas funções
O fígado desempenha muitos papéis dentro do nosso corpo, desde funções na digestão com a secreção da bile, que auxilia na digestão das gorduras, até no armazenamento de algumas vitaminas e minerais.
É ele o único e verdadeiro responsável pelo “detox” do nosso organismo, processa os medicamentos e o álcool que ingerimos, além de destruir células do sangue já desgastadas, hormônios e bactérias para serem eliminados do corpo.
É um órgão que também está intimamente envolvido no processamento de carboidratos, proteínas e gorduras. Uma das funções é determinar se esses nutrientes ingeridos serão usados para gerar energia, para produzir outras estruturas importantes ou se serão armazenados.
Quando o consumo desses nutrientes é maior do que a necessidade, há um risco de aumento desse armazenamento em forma de gordura, o que também pode gerar aumento do peso corporal. Falaremos mais sobre isso adiante.
Por fim, o fígado tem uma grande capacidade de regeneração e é por isso que é possível doar parte dele, em vida. Dessa forma, concluímos que um órgão com tantas funções (mais de 500, segundo alguns pesquisadores) é vital para o nosso corpo.
Afinal, o que causa gordura no fígado?
A gordura no fígado, ou esteatose hepática, pode ser classificada em alcoólica (provocadas pelo consumo excessivo de álcool) e não alcoólica.
Sobrepeso, obesidade, diabetes, síndrome metabólica (pressão alta, resistência à insulina, níveis elevados de colesterol e triglicérides), perda brusca de peso e sedentarismo são fatores de risco para o aparecimento da gordura no fígado. A prevalência aumenta com a idade, mas também pode acontecer entre crianças e adolescentes. Da mesma forma que pode acometer pessoas magras.
Embora se associe com maior frequência à obesidade, diabetes e níveis de colesterol alterados, pode também ter como fatores de risco produtos químicos, medicamentos e anabolizantes, entre outros.
Quer saber mais sobre o tema? Veja também esse vídeo do meu canal:
Estou com gordura no fígado. E agora?
Geralmente não são utilizados medicamentos específicos para combater esse problema, seu tratamento é realizado com alterações nos hábitos de vida: alimentação, atividade física, diminuição ou eliminação (dependendo do caso) do consumo de álcool.
O intuito dessas modificações é controlar o risco de diabetes, a hipertensão e o colesterol alto, além da redução do peso. Tudo isso impacta diretamente no nível de gordura no fígado.
Com relação às mudanças nos hábitos alimentares, devo ressaltar que a dieta com restrições de gordura não é a alternativa mais eficaz para controlar a gordura no fígado. Ou seja, “cortar a gordura” não é a solução.
Várias pesquisas têm mostrado que o consumo exagerado de açúcar proveniente de doces, refrigerantes, iogurtes industrializados, sucos de caixinha e outros produtos ultraprocessados – ricos em açúcar e, mais especificamente, frutose – tem relação com esse “boom” populacional de gordura no fígado.
Esse excesso de açúcar e frutose encontrado nesses produtos pode ser prejudicial se eles fizerem parte da sua rotina diária, portanto, cuidado! Vale a pena estar consciente e diminuir o consumo. Como? Comece incluindo mais alimentos de verdade como nozes, castanhas, frutas, iogurte feito em casa….
A frutose é o açúcar natural da fruta, e não devemos temê-la. Quando comemos uma fruta, o nosso corpo é beneficiado de diversas formas com energia, vitaminas, minerais e fibras.
Esses benefícios incluem a proteção contra doenças crônicas, como, por exemplo, o Diabetes tipo 2. Dessa forma, as frutas devem fazer parte do nosso dia a dia.
Trocar refrigerantes e sucos industrializados por água é uma boa quando pensamos em gordura no fígado. A água é a melhor bebida que existe para hidratar o nosso corpo! Mesmo o suco natural deve ser consumido com mais parcimônia neste caso, quando se trata da quantidade de frutose.
Pense: para fazer um suco de laranja precisamos geralmente de quatro unidades, e toda a fibra da fruta vai embora (principalmente quando coamos); ou seja, toma muito mais açúcar da fruta e menos fibras por um copo de suco do que quando chupa uma laranja. Isso não quer dizer que os sucos fazem mal para a saúde e causam gordura no fígado, mas sim que comer a fruta e beber água pode ser bem mais interessante.
Sendo assim, a ideia é melhorar os hábitos, e não restringir.
Isso também significa que você deveria focar em comer melhor, e não menos. Para isso, priorize alimentos in natura ou minimamente processados no seu dia a dia. Coma comida!
Por exemplo, o nosso querido arroz, feijão, bife e salada, é uma combinação perfeita para o nosso corpo.
E porque não comer uma fruta como sobremesa? O Brasil é um país lindo com abundância de frutas e legumes! Aproveite as frutas da estação, são muito mais saborosas e o preço é mais acessível.
Uma boa ideia é dar um toque especial à fruta que já conhecemos, como por exemplo: abacaxi com raspas de limão, banana da terra cozida com canela em pó, morango com manjericão fresco, manga fatiada com raspas de coco fresco, entre outras combinações.
O sabor fica ainda mais incrível, experimente!
Fique atento também aos sinais de fome e saciedade, assim você poderá avaliar qual é a quantidade que você precisa para se sentir satisfeito sem tender ao excesso. Para facilitar essa percepção, não seja “multitarefa” durante as refeições e coma com tranquilidade, mastigando bem os alimentos.
Isso faz parte do conceito do Mindful Eating, você já conhece esse estilo de vida? Se não, dá o play no vídeo abaixo do meu canal para entender melhor:
Para fechar, lembre sempre que a variedade na alimentação é imprescindível, pois garante que tenhamos disponíveis para o nosso corpo todos os nutrientes de que ele necessita.
Quero me prevenir, o que faço?
A prevenção e o tratamento da gordura no fígado são semelhantes, a prioridade são as modificações no estilo de vida. Se você não possui nenhum dos fatores de risco, sua alimentação é equilibrada e faz atividade física com regularidade, não se preocupe! Agora, se você possui um ou mais dos fatores de risco, que tal começar essa mudança?
Comer melhor e tomar mais água é um bom começo para prevenir a gordura no fígado, e isso inclui fazer as pazes com os alimentos, priorizar alimentos frescos e in natura e diminuir o consumo de ultraprocessados. Garanto que os resultados serão excelentes e vão muito além: trazem bem-estar, saúde e qualidade de vida!
Bon appétit!
Além de descobrir o que causa gordura no fígado, veja também outras medidas para melhorar sua relação com a comida:
Uma mudança para a vida
Manter uma alimentação equilibrada é um desafio diário para milhares de pessoas. Eu sei disso porque sou nutricionista franco-brasileira, doutora pela USP e apaixonada pela neurociência do comportamento alimentar e atendo a muitos anos.
Acredito que o comportamento é tão importante quanto o nutriente e que o prazer de comer é a chave do bem-estar e da saúde… sem culpa!
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Respostas de 17
Um texto bem interessante, muito informativo sobre o assunto!
Boa Tarde Sophie Deram,
Tenho familiares com gordura no Fígado e meu filho ficou diabético com 2 anos de idade. Era vegetariana, consumi por 15 anos uma alimentação rica em carboidratos, grãos e lacticínios.
O motivo deste email é para saber se uma alimentação rica em carboidratos, aumenta o deposito de gordura no Fígado e com isso uma maior resistência a insulina. E se uma alimentação rica em gorduras boas pode também aumentar a resistência a insulina. Porque existem fontes de informação que os carboidratos com índice glicêmico alto são os responsáveis por essa resistência a insulina.
Espero não estar sendo inconveniente ou naife neste email, mas gostaria de uma ajuda a nível profissional para entender se existe relação entre a gordura no Fígado, a diabetes tipo 1 do meu filho e a alimentação que prejudica o Fígado, com resistência a insulina. Tudo para melhorar seu controle diabético.
Olá Márcia, tudo bem?
Nesse caso, o ideal é que você seja acompanhada por um profissional da saúde. Uma consulta presencial é de suma importância, nela você terá a oportunidade de tirar todas as suas dúvidas, o que te deixará mais tranquila. 😉
A Dra. Sophie atende em um consultório em São Paulo nas segundas e quintas. Para saber disponibilidade e horários, você pode entrar em contato diretamente com ela por e-mail: sophie@nutricoach.com.br
-> Você pode encontrar profissionais que atendem seguindo a mesma linha da Dra. Sophie, é só entrar na Rede Sophie através do link: https://sitesquare.com.br/blog/br/rede-sophie/
Lá você encontrará profissionais de diversos estados do Brasil que foram capacitados pelo curso Nutricoach – Método Sophie.
Abraços,
Nathália – Equipe Sophie